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Quando o KPI interno não explica o budget

Quando o KPI interno não explica o budget

Performance sem contexto vira argumento frágil

Uma campanha pode melhorar seus indicadores e, ainda assim, perder espaço na categoria.

Também pode piorar sem que o plano de mídia seja o principal responsável. A concorrência pode ter aumentado investimento. O consumo pode ter migrado entre TV, rádio, vídeo online e livestreaming. Um evento ao vivo pode ter deslocado a atenção do público.

Por isso, em reuniões executivas, não basta responder se a campanha performou melhor ou pior.

A pergunta decisiva é outra:

isso aconteceu por causa da nossa mídia ou porque o mercado se moveu?

Sem essa resposta, o orçamento fica mais vulnerável.

O risco: cortar verba com uma leitura incompleta

Quando a defesa depende apenas de KPI interno, a liderança pode tomar decisões erradas:

  • cortar investimento em um canal que estava sustentando presença competitiva;
  • manter verba onde a categoria já mudou de comportamento;
  • redistribuir mídia sem entender a pressão dos concorrentes;
  • avaliar TV, rádio e livestreaming como canais isolados, quando eles influenciam buscas, visitas e outras ações digitais.

O problema não está nos KPIs. Eles continuam necessários.

O problema está em tratá-los como explicação completa.

O mercado de mídia está fragmentado

Alguns dados recentes ajudam a dimensionar essa mudança:

Internet, TV e rádio: o mercado brasileiro movimentou R$ 28,9 bilhões em 2025 via agências, alta de 10% sobre 2024, segundo o Cenp-Meios. A internet liderou com 40,6% do total; TV aberta ficou com 33,6%; TV por assinatura, 7,7%; e rádio, 3,8%.

Vídeo: o Inside Video 2025, da Kantar IBOPE Media, aponta que o vídeo alcançou 99,54% da população brasileira em 2024, com tempo médio diário de 5h09. TVs e CTVs lideraram o tempo de consumo, com 5h38.

Áudio: o Inside Audio 2025 mostra que 92% dos brasileiros consumiram rádio, música, streaming ou podcasts nos 30 dias anteriores ao estudo. O rádio alcançou 79% da população nas principais regiões metropolitanas, com média diária de 3h47 entre ouvintes.

Livestreaming: na Copa do Mundo de 2026, a CazéTV passou a ter os direitos de transmissão de todos os 104 jogos no Brasil, enquanto a Globo exibirá 55 partidas. A FIFA também declarou expectativa de recordes em audiência digital no torneio.

A leitura é direta: a disputa por atenção não está concentrada em um único meio. Ela acontece entre telas, formatos, horários, contextos e marcas concorrentes.

O dado competitivo muda a conversa

Um estudo da Tunad sobre o setor de apostas esportivas mostrou que as bets investiram mais de R$ 1,44 bilhão em TV aberta, TV paga e rádio em 2025. A TV aberta concentrou 85% desse investimento, e BetMGM, Betano e Betnacional responderam por cerca de 62% do total aplicado no ano.

Esse tipo de dado muda a análise.

Se uma marca do setor avaliasse apenas seus próprios indicadores, poderia concluir que uma queda de performance veio de problema criativo, canal inadequado ou redução de eficiência. Mas, diante de uma categoria com forte concentração de investimento e pressão contínua em TV e rádio, a interpretação executiva precisa incluir o movimento competitivo.

Performance não é apenas resultado interno. É também posição relativa.

A solução: defender budget com referência de mercado

A defesa de orçamento precisa responder a quatro perguntas:

A marca ganhou ou perdeu presença em relação aos concorrentes?
A categoria aumentou ou reduziu investimento no período?
A campanha gerou reação mensurável, como busca, visita ou conversão?
O canal perdeu eficiência ou mudou de função dentro da jornada?

É aqui que métricas como Share of Voice, Share of Search, uplift de buscas e resposta pós-veiculação deixam de ser complementares. Elas ajudam a explicar se a marca apenas performou ou se manteve posição competitiva.

Isso é inteligência de mídia.

O orçamento precisa ser defendido com contexto

A discussão sobre budget não deve ser apenas sobre corte, manutenção ou aumento de verba.

Deve ser sobre evidência.

Em um mercado no qual TV, rádio e livestreaming seguem relevantes, mas com papéis cada vez mais conectados ao digital, a liderança precisa saber o que aconteceu com a campanha, com a categoria e com a concorrência ao mesmo tempo.

Sem isso, a marca decide com dados parciais.

Com isso, a conversa muda: deixa de ser apenas sobre KPI e passa a ser sobre posição competitiva.

Para acompanhar essa mudança

Nos próximos dias, lançaremos uma novidade para profissionais de mídia que querem acompanhar essa mudança do mercado com mais dados, contexto e inteligência competitiva.

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